domingo, 22 de julho de 2018

soneto, por enquanto, sem título

soneto, por enquanto, sem título


em cada raiar despeço-me da vida
brindo-a numa toada que só escuto
composta em resposta à febril lida
que canto num recanto indissoluto

ela diz da solidão a tal ferida
da estrela solitária em dia de luto
que reluz na lágrima duma escrita
da olheira, da canseira qual refuto

do solo artístico de um ser que grita
se agita em cenas de não ser arguto
na estação certa do mor vero fruto

que por si mesma já se me contrita
a efêmera dor plural toa incontida
no silvo vindo burlar meu imo astuto.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

estrela



desenhei no céu
você, minha estrela
pior que não ter mundo
é o vazio de não tê-la

volte aos meus braços
pois prefiro cegar-me
aos sonhos sem vê-la





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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

nas entrelinhas.

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"meu coração é propriedade de quem finge não me querer, ou, talvez, de quem não me mereça. não sei; penso que nosso amor só é possível em literatura e numa dimensão telepática, tipo 'só existimos em pensamento, por isso nossos corpos sofrem...' ou 'existe um medo fremente (entre nós) de que o que está sigiloso venha à tona'... que venha!, precisamos experimentar e materializar o que o espírito sofredor nos clama..."

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

debaixo do meu chapéu







tinha um pássaro amarelinho
que fez seu ninho
debaixo do meu chapéu

tinha um arco-íris
que entrecortava de fora a fora
o horizonte do azul do céu

tinha uma sinfonia de beethoven
que só os ingênuos ouvem
não catalogada
tão serena e leve
como o cair da neve
na esperada alvorada
que eu assobiava ao léu
debaixo do meu chapéu

quando a donzela
vinha se achegando
abanei-o em saudação
mirando a capela
por tanto amor
menos por educação

mas ali parado
por ela desnotado
senti-me judiado
quando ela virou o rosto
pro lado errado
de minha ilusão

então

o pássaro migrou
abandonou minha percepção
o arco-íris se dissipou
ensurdeci-me à canção

segui pela estrada
com a cabeça de pesar pesada
com meu chapéu na mão



***


domingo, 6 de setembro de 2015

equilíbrio.



a mim me basta tudo o que possuo
o resto são sonhos que ficaram
e ficam no meio do caminho

nem tudo são flores
nem tudo são espinhos

tudo se renova em mim

jamais vou deixar de acreditar
que nasci pra ser feliz

venham os próximos desafios
balançar minha fragilidade

pois dela nasce minha força
e meu olhar sempre à frente


***