terça-feira, 15 de dezembro de 2015

debaixo do meu chapéu







tinha um pássaro amarelinho
que fez seu ninho
debaixo do meu chapéu

tinha um arco-íris
que entrecortava de fora a fora
o horizonte do azul do céu

tinha uma sinfonia de beethoven
que só os ingênuos ouvem
não catalogada
tão serena e leve
como o cair da neve
na esperada alvorada
que eu assobiava ao léu
debaixo do meu chapéu

quando a donzela
vinha se achegando
abanei-o em saudação
mirando a capela
por tanto amor
menos por educação

mas ali parado
por ela desnotado
senti-me judiado
quando ela virou o rosto
pro lado errado
de minha ilusão

então

o pássaro migrou
abandonou minha percepção
o arco-íris se dissipou
ensurdeci-me à canção

segui pela estrada
com a cabeça de pesar pesada
com meu chapéu na mão



***


domingo, 6 de setembro de 2015

equilíbrio.



a mim me basta tudo o que possuo
o resto são sonhos que ficaram
e ficam no meio do caminho

nem tudo são flores
nem tudo são espinhos

tudo se renova em mim

jamais vou deixar de acreditar
que nasci pra ser feliz

venham os próximos desafios
balançar minha fragilidade

pois dela nasce minha força
e meu olhar sempre à frente


***



terça-feira, 25 de agosto de 2015

meu inesquecível amor.




apareceste num repente
de forma tácita
comovente

tais  tons mutantes de cores
que tento ver 
e não as vejo simplesmente

pode ser teu corpo uma flor
pode ser teu cheiro uma fruta

tudo pode soar artificial
fictício

menos
o complemento que me falta
quando até tua imagem
se torna de mim ausente

não sabes
mas neste dia colhi lírios
embelezei a fruteira
pra te ofertar

imaginei teu sorriso
sorri pra não chorar



***











domingo, 5 de outubro de 2014

pequeno apontamento filosófico sobre a vida.





"O homem começa ver quando começa raciocinar"




***

cadeia retroalimentar & afins.




o mosquito na teia
o bico bica a aranha
o homem abate o bico
o homem abate o homem

duas garças retilíneas
disputam um peixinho inexistente
no córrego poluído
cinza-chumbo
:
esgoto a céu aberto
margeado por dejetos de consumo

 um grafiteiro maluco
com seu jato de tinta
pixa a parede do monumento
com códigos borrados
sobre a bela pintura paisagesca
edênica
principiando a majestática criação


LIBERDADE
ampla
geral
irrestrita

oh
meu Deus
quanto cérebro atrofiado
quanta involução


um bico na natureza
a mão devastadora
tudo caminha sem coordenação motora




***